quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Cruz sufixo

No espelho penso ver a verdade
De algo nada animador
Que sempre foge a realidade
Trazendo de volta minha eterna dor

Do meu templo nada restou
Além de santos espalhados
Em vários espelhos espelhados
Que minha alma abandonou

Está aqui meu corpo
Sentado como Buda
Esperando um retorno
Levando minha vida fajuta

Flores lindas já foram um dia
Aquelas que velam meu pesar
Foram elas testemunhas mudas por azar
Que viveram meu dia a dia

Coloco o crucifixo onde deve estar
Para que um dia eu volte a rezar
Aliviando assim o que dói tanto
Enxaguando assim o meu pranto

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Inverno sem terno

Se consegue me fazer patinar neste lago gelado
Também consegue fazer jamais congelar nosso beijo selado

Esquiando na neve que faz pra nós
Jamais assim nos sentiremos a sós

A cada estação espero o inverno chegar
Olhando lá fora
E não vendo a hora
Do nosso amor deslizar

Canto na lareira
O verso aquecido
De um amor que abre clareira
Entre pinheiros adormecidos

O caminho do caminhar

Caminho longo e estreito
E ao meu lado um rio
Quem nem se lembra da última vez que sorrio
De tanta dor no peito do seu leito

Semente caem e pensamentos brotam
Quase se esgotam
Mas o rio em seu papel
Mais uma vez se faz fiel
Não deixando secar
Os pensamentos do meu caminhar

O par perfeito me estende a mão
Fazendo-me esquecer
Que mesmo sem razão
Até mesmo na contramão
É preciso caminhar... sem mesmo entender

Escalada

Escada que sempre se transforma em escalada
Que me faz sorrir, mas tão logo descer

Corrimão que me queima a mão
E faz-me escorregar pelos dedos
O desejo... da eterna paixão

Fruto proibido vinga no cume
Mas se torna a distância
Mesmo em ente alado
O prazer jamais alcançado

Mais um degrau e uma gota de sangue
Decoração do meu sofrer
Mesmo sem querer
Meu antigo vexame

VIVA!

Viva enquanto há vida a ser vivida
Quantas coisas jamais esquecidas
São agora, como toda hora
Casca de eterna ferida

São os laços dos nossos embaraços
Gente que fica
Gente sempre ausente
Formando assim, os nosso traços

A vida louca que era tão boa outrora
Some e vem
Faz sua hora
A noite cai
E a lembrança... não se vai

Meio do paradoxo

O que viriam trazer
Já estava lá
Coisa mandada
Há muito tempo não esperada
Sem querer saber
O que a vida insistia em dizer... escondido
Sob a luz no labirinto.

Lente opaca

Dali os velhos óculos não saíram mais
Nada mais enxergaram
Nada mais
Mas as últimas lágrimas, nele ficaram

Contos sofridos
Histórias sem volta
Ainda gera revolta
Seus últimos gemidos

A letra já não tinha mais destreza
Mas jorrava emoção
Às vezes apoiada com as duas mãos
Para gerar uma palavra com leveza

As flores murcharam
Assim como seu ser
E dali partiram pra ter
O que tanto sonhavam

Seu velho óculos finado
Agora repousa na recordação
De quem leu o que ele viu
Antes de chegar na primeira mão
No vai-e-vem dos seus lábios desinibidos... sua língua será sua sentença.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Nunca julgues com um cajado pesado. Pois quando o levantares para ferir teu próximo, ele te açoitará as próprias costas.

terça-feira, 9 de março de 2010

Se é com fogo que me testas, é de fogo que me farei! A.B.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Mesmo aos cem anos de idade, a melhor coisa da vida ainda é feminina: a mulher companheira ou a morte certeira.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Cadeira? Qualquer uma... sento-me mesmo no trono da minha imaginação, pois vivo nos vãos do seu pensamento.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Todo homem é uma criança... que esqueceu o que é amar.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Posso até sangrar agora, mas o que vai me matar mesmo é a falta de você.
Encontrar-se a si mesmo por si próprio. Redundante? Porém preciso!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

A diferença do que parece semelhante

Não gostamos de ir e vir
Muito menos de estar aqui
Odiamos ser o que eles são
E não caminhamos por onde eles perambulam
Somos um em dois
Com um único sentido:
Ser o que eles não são.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Deus dos asnos

Nós somos mais do que imaginamos ser, e muito mais do que os outros imaginam, na bondade e principalmente na perversidade.

Há tempos não rezo mais
Mas enquanto isso
Descubro do que o ser humano é capaz


Você tem medo de morrer
E eu que você morra
Pois o meu querer
É que o acéfalo assuma a proa


Você tem medo da besta
Faz dela o maior pilar da igreja
Um bobo que pensa ser probo
E só me causa nojo


Vejo nas suas lágrimas
Rios de incertezas
Mesmo assim
Reza para que o mundo não tenha fim


Você canta hinos por temer a desgraça
Mas isso não disfarça a sua raça
Cria inúmeras pontes para o céu
Mas nesse lugar
Você será o principal réu
E não bastará chorar


Bebe do vinho na taça
Engole seus pecados como uma traça
Vivendo neste mundo
O ser pior dos imundos


Junte-se a mim e serei seu Deus
Dar-te-ei o lugar de Zeus
Não poupe seus joelhos no meu altar
Faça-os apenas sangrar


Não perca tempo com ladainha
Tire sua espada da bainha
Vamos o inferno tomar
E nenhuma alma vai restar


Você talvez não se lembre de mim
Mas estou sempre ao seu lado
Sou seu irmão alado
Aquele que vaga entre querubins



Sou seu ídolo de fogo
Desde quando você fez do calvário um lugar hilário
Sua fealdade veio do berçário
E agora você faz parte do meu jogo


Vou te levar onde nasce a escuridão
Ao lar das sombras
Onde nunca existiu Adão
E foram dizimadas as supostas Evas


Esta é a verdade brutal do ser anormal
Você será parte do reino das trevas
Onde prevalece sempre o mal
E isso durará por eras


Você talvez tenha medo das minhas palavras
Mas nada se compara ao medo que já senti
Sou o filho que foi rejeitado pelas coisas sagradas
Por isso não sou a hipocrisia que vem de ti


Reze por mim
E para que isto não tenha fim
Sou o talvez falso sagrado
E nunca quis ser quem você chama de amado
Porque eu jamais salvaria
Aquele que faz de mim
Mais um personagem de sua mentirosa idolatria

A. B.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Triste por ser triste

Se você nunca errar, nunca terá a oportunidade de transformar uma coisa simples em algo fabuloso.


Sentado em um canto
Sem encanto
Sorrir... para que?
Já andei pelos quatro cantos do mundo
Sem saber por que


Todos meus temores se realizaram
Sonhos?
Findaram


Salta-me aos olhos a tristeza
Quanta aspereza
A vida me ensinou


Será que morri?
Ou deixei de existir em mim mesmo
Vivo a esmo
Parei de olhar para mim
Meu espelho?
Quebrou se e não faço parte mais de mim


Não vejo mais quem eu sou
Só penso em quem eu seria
Se você lembrasse
Da boca que beijou


Há sempre um estranho
Atrás dos meus olhos
E quando o olho
Vejo-o vegetando
Em um lugar sem tamanho


Sei da excelência da sua ausência
E sei mais
Sei de tudo que você é capaz
Conheço sua repugnância
Sua falta de tolerância
E o mal que você me faz
Conheci nesta vida cada ferida
Que o mundo nos traz


Posto no solo
Em um choro sem lenço
Só o silêncio
Leva-me no colo


Posto na fogueira
Que nunca foi lareira
Senti o ardor
Da sua falta de amor


Enveredando-me em seus nuances
Minha felicidade
Foi sempre de relance
Como sua lealdade


Triste por ser triste
Sou isso e nada mais
Isso é tudo que ainda resiste
A felicidade não me visita mais

Santa Serpente

FANTASIA É O QUE LIBERA A EMOÇÃO DE PODERMOS SONHAR SEM TERMOS RAZÃO.

Você trouxe a luz aos olhos meus
Será que ainda sou ateu?
Serpentes no paraíso
Onde não deviam estar
Corro perigo?
Cuidado, posso me apaixonar


Eu transformo em versos
Os gritos recolhidos
De um lugar perdido
Quase submerso


Meu voto de castidade
Nunca foi saudade
Sofri enquanto durou
Daquela vida
Na despedida
Nada restou


Rezei para esquecer
Minha santidade
Quanta crueldade
Tive que aprender


Subi ao altar
E provei o líquido vermelho
A minha imagem no espelho
Vi por demais saltar


Já são sete mil dias
Que parecem sete mil séculos
Ainda pareço benévolo
Mas vivo de maresias


Procurei conhecer o caminho certo
Mas ao certo
Nunca saberei
Se vou me arrepender
Nem se vou entender
Onde foi que eu errei


Santa Serpente
Minha forma é decadente
Procurei a verdade
Agora sou deformidade


São dias que só formam noites
E meu pernoite
Sempre latrinário
Ainda é diário


Meus momentos oníricos
Agora já não são mais ledos
Quanto desprezo
Vivo do lixo dos ricos


Sou um profano deste mundo ufano
Escassa é minha raça
Minha fortuna é a penumbra
E perfeito é o meu leito...

...de morte.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Revelações do seu mundo

Dê-me uma caneta e um papel e eu te darei um mundo novo.

Escreverei até sobre seus sonhos mais ocultos
Até mesmos os vulgos
Revelarei suas fantasias
Causar-te-ei histeria
Não terei pudor
Mesmo que cause dor
Buscarei ser claro
Sem atraso


Percorrerei cada labirinto da sua mente
Mesmo demente
Solucionarei seus mistérios
Mesmo incrédulo
Após seus adultérios
Os mais malévolos


Retalharei seus pensamentos
Vou vasculhar seus argumentos
Farei da sua vida
Um quebra-cabeça montado
Sem retardo
Todas as feras abatidas


Sou a voz do seu diário secreto
Trago a vida o monstro descoberto
Suspiro horrores ao seu ouvido
Vou ao seu íntimo
Causo feridas à suas dores
Sou o Calígula na sua torre
Mesmo a sete palmos
Arranco aplausos


Não vim aqui para falar a verdade
Mesmo com sinceridade
Escondo meu jogo
Causo-te nojo
Somei seus pecados
Vi o estrago


O brilho do seu sol
Pintei de negro
Maculei seu puro desejo
Do seu mais belo mol-
de de estátua
Fiz pedaços para sua mágoa


Você se pergunta
Quem sou eu
Eu vivo no seu breu
Vivo em tormenta
Não sou a realidade
Nem o pesadelo
Vivo do ensejo
Da sua falsidade
Sou seu verdadeiro eu
Aquele que você pensa que morreu